Interoperabilidade: uma história de miúdos

European Voices3 minutes readJul 16th, 2013
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Acabadas as aulas dos miúdos, temos sempre a possibilidade de sermos surpreendidos por eles. A sua forte ligação às redes sociais, a constante necessidade de se sentirem ligados uns aos outros, leva-os a serem criativos. Há dias deparei-me com a seguinte situação:

Uma sessão corria animada no Google Hangout. Os garotos, entusiasmados, iam chamando outros para se juntarem à festa. Notei que, em simultâneo, num gadget Apple corria uma sessão de Facetime que servia para “arregimentar” os novos participantes. Até aqui, nada de especial para a geração millennial, nascida num mundo da comunicação.

Porém, uns segundos a assistir a este jamboree eletrónico revelaram algo com implicações mais profundas do que eu pensava. Uns miúdos, por razões que desconheço mas que acredito serem importantes, não tinham nem queriam ter conta no Google. Assim, decorria uma sessão Skype noutro PC, contribuindo sonoramente para um ambiente em que as conversas se entrecruzavam e as imagens se sobrepunham, mas era óbvio que aquilo funcionava, contra todas as expetativas.

Mas como é que, estando aqueles garotos ligados a redes diferentes, a conversa fluía animada e sem sobressaltos? Como é que eles resolveram um velho problema da integração de sistemas e redes e como é que estabeleceram, assim tão rápido, a interoperabilidade que se tornou visível entre o Hangout, o Skype e o Facetime?

Uma observação atenta mostrava uma orquestração de microfones e câmaras que apanhavam os sons e as imagens que brotavam dos vários dispositivos e os integravam num complexo group video chat. Assim, direto mas eficaz. Todos partilhavam aquele espaço numa paradoxal solução low-tech para um problema high-tech. Uma solução que é independente – o meio de integração é realmente standard (o ar pelo qual fluem as imagens e sons entre essas redes) – e que sobrevive à evolução das partes que interliga, é o verdadeiro “santo graal” da interoperabilidade. Dir-me-ão que a qualidade da imagem e do som seriam fracas. Eu respondo que bastava olhar para as caras deles para ver que não: era a qualidade necessária!

Este episódio faz-me pensar nos desafios que tenho encontrado, ao longo da minha vida, de conceção e implementação de sistemas mais ou menos complexos. Mais tarde ou mais cedo, deparo-me com a necessidade de interligar sistemas e aplicações e, lá no fundo, sigo a estratégia seguida pelos miúdos:

Busco uma plataforma de interoperabilidade que seja eficaz, simples e que sobreviva aos sistemas e aplicações que pretende interligar. Sistemas abertos são parte da resposta; SOA, Service Buses, etc.: são a resposta sintática. Por um lado, há uma realidade semântica que reflete a capacidade desses sistemas e aplicações de serem capazes de tirar partido daquela realidade sintática.

Por outro lado, a interoperabilidade, como qualquer abordagem de “criação de rede” vive envolvida pelos problemas típicos das redes: a segurança, a qualidade do serviço, a gestão, o billing, o suporte aos utilizadores, o engagement e contratação, entre muitos outros.

Só há interoperabilidade quando há liberdade. A garotada demonstrou isso, sem margem para dúvida.

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