Tecnologia na gestão de segurança de centros urbanos

April 5th, 2018Latin American Voices


O acesso à internet entre os brasileiros cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A cada dia, mais pessoas se conectam às redes e o volume tem aumentado, principalmente, por conta do “boom” dos smartphones. Um relatório recente da GSMA, que representa operadoras móveis do mundo todo, aponta o Brasil como o País com mais smartphones conectados à internet na América Latina: são 234,6 milhões de conexões, sendo 73% a partir destes aparelhos.

Com a conexão cada vez mais presente entre a população brasileira, o uso da internet não fica restrito apenas às funções básicas de comunicação e interação. Hoje, a tecnologia e os dispositivos conectados podem ser ferramentas fundamentais para a integração entre o setor público e a comunidade, que conseguem trabalhar juntos para solucionar os principais problemas do cotidiano, principalmente nos grandes centros urbanos.

Um dos maiores desafios na administração pública e a grande preocupação dos cidadãos brasileiros é a violência. O Brasil aparece com o maior número de cidades (17) entre as 50 áreas urbanas mais violentas do mundo, segundo ranking da organização de sociedade civil mexicana Segurança, Justiça e Paz. A tecnologia aparece como uma das alternativas para o combate ao crime e à violência com sistemas de análise avançada de dados, inteligência artificial e investigação preventiva.

No último ano, o estudo global Unisys Safe Cities apontou que os brasileiros anseiam por mais facilidade, rapidez e conveniência na comunicação com as entidades de segurança pública. Entre os destaques da pesquisa, 80% dos entrevistados em São Paulo consideram que seria mais fácil entrar em contato com a polícia via plataformas digitais.

O registro de dados também auxilia na investigação e resolução de crimes. Atualmente, as polícias brasileiras têm poucos dados integrados à disposição sobre os cidadãos. Existem apenas quatro base de dados sobre pessoas físicas de abrangência nacional. Como comparação, nos Estados Unidos, um policial acessa 20 bancos de dados que trazem descrição física e amostra de DNA de suspeitos. A tecnologia ajuda na coleta de informações críticas, garantindo segurança e anonimato às fontes, e esses dados tornam as investigações mais assertivas.

Podemos citar o exemplo da polícia do Reino Unido, que conta com o sistema “Digital Investigator” de investigações criminais. A plataforma de data minning serve para identificar suspeitos de maneira ágil e surge como um grande aliado das forças de segurança. Esse sistema permite o fácil compartilhamento de aspectos críticos de inteligência investigativa entre aplicações e agências. Com isso, um banco de dados da polícia está disponível para ser compartilhado com outros investigadores, o que facilita a identificação de criminosos. Para a maior eficiência da inteligência da segurança pública, é importante uma análise personalizada e integrada, que melhora a governança de dados, auxiliando na prevenção de crimes.

Neste ano eleitoral, a tecnologia deve ser uma das prioridades do País, como destacou o presidente-executivo da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), Sérgio Paulo Galindo, na última conferência da associação. O avanço da tecnologia para a governabilidade é evidente, assim como a demanda da população por esses serviços.

Na última edição do estudo Unisys Security Index, dos mais de 1.000 brasileiros entrevistados, 53% acreditam que investir em novas tecnologias via agentes e órgãos de segurança acelera a resolução de crimes e 46% afirmaram que a proteção de nossas fronteiras é a melhor opção para diminuir a entrada ilegal de armas e drogas.

Sabemos que não existe uma fórmula imediata para a resolução das questões evidenciadas, porém, é importante mudar a abordagem da postura de remediação para a de prevenção. Apesar das diversas ferramentas e plataformas para aperfeiçoar a gestão pública, a transformação digital no País ainda acontece de forma lenta.

O caminho para otimizar as investigações pode começar na criação de uma plataforma para centralizar informações e evidências de crimes e integrar os dados dos sistemas policiais. A priorização de tecnologias de ponta pode trazer benefícios no curto prazo, com a melhor gestão das informações, controle sobre produtos ilegais que entram e saem do País via fronteiras e aplicação de inteligência em investigações.


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Guilherme Artuso

Guilherme é responsável por dar suporte aos negócios de Serviços Públicos na América Latina, bem como, por planejar e alinhar a estratégia de crescimento dessa vertical na região.