Cloud computing em Portugal: onde estamos e para onde devemos ir

 Author(s): , Posted on July 5th, 2012

Cloud computing em Portugal: onde estamos e para onde devemos ir

A temática de cloud computing tem tido uma boa receptividade por parte do tecido empresarial português, considerando as especificidades de cada um dos mercados empresariais.

No mercado das telecomunicações a tendência tem sido a criação de capacidade para prestar os diferentes serviços de IaaS, PaaS e SaaS em modelos de cloud pública, que também serão utilizados internamente no modelo de cloud privada.

Estes modelos de cloud pública são muito interessantes para as PME, que constituem grande parte do nosso tecido empresarial porque, recorrendo à utilização dos diferentes serviços, podem rapidamente capitalizar numa melhor qualidade e com custos mais eficientes. Um dos serviços mais interessantes para essas organizações será o de SaaS que lhes permite acederem a plataformas, como por exemplo ERP ou ferramentas de colaboração, com um valor inicial de investimento muito baixo.

No mercado financeiro os serviços com maior recetividade são o IaaS e o PaaS para suporte às equipas de desenvolvimento, utilizando ambos os modelos de Cloud, com o objetivo de certificar esses modelos para uma utilização alargada aos ambientes de produção, mas retirando desde logo o proveito da redução de custos pelo aumento da produtividade das equipas.
No que concerne a adoção deste modelo por parte das organizações é ainda necessária uma alteração ao processo de decisão para que as principais vantagens do cloud computing se manifestem em toda a sua plenitude. Do ponto de vista das cloud públicas, a criação de standards que retirem aos seus clientes a preocupação com o “lockin” com um determinado fornecedor; e, também, a problemática da segurança dos dados que hoje está completamente resolvida quando a informação está em trânsito, mas não quando a informação está em estado de repouso, armazenada nas bases de dados, bandas e discos partilhadas por múltiplos clientes.

A alteração também é necessária do ponto de vista da análise financeira dos projetos; esta análise deverá ser mais enfocada no valor económico dos serviços, numa comparação dos custos/benefícios em detrimento de uma comparação pura e dura dos custos atuais vs. novos custos.

As tecnologias de virtualização são uma das principais características dos ambientes de cloud computing, mas não é possível implementar uma cloud pública ou privada sem implementar processos de gestão das TI automatizados e baseados nas boas práticas das diferentes normas existentes, como sejam o ISO20000 e o ISO27000.

A implementação de um ambiente de cloud computing, com serviços que se querem elásticos, com partilha de recursos, elevados níveis de disponibilidade, imediatamente disponíveis requer, tal como hoje a maioria dos processos de fabrico, um elevado grau de automatismo para que os custos não subam em flecha e para que a qualidade não decresça na mesma proporção. A totalidade dos processos de suporte ao ambiente de cloud computing tem de ser automatizada, desde o processo de aprovisionamento do serviço, até aos processos de suporte e remediação, incluindo os processos de rotina como a aplicação de correções em complemento com as tecnologias de virtualização. De acordo com os estudos que a Unisys tem realizado a nível mundial esta será uma das áreas de enfoque para o próximo ano nas organizações prestadoras de serviços na nuvem.

A adoção de ambientes de cloud computing, principalmente, de cloud públicas permitem às organizações alterar os seus investimentos de CAPEX para OPEX. A adoção deste tipo de ambientes, quando analisados a longo prazo, as reduções de custos poderão não ser evidentes; quando analisados, apenas, numa perspetiva de custos atuais versus custos da implementação do serviço em modelo de cloud, também não serão evidentes. Na maioria das situações, a adoção dos modelos de cloud permitem o acesso a um conjunto de benefícios adicionais relativamente aos modelos de TI tradicionais que, obrigatoriamente, terão de ser considerados, como por exemplo: aumento da redundância das componentes de suporte e respetiva disponibilidade dos serviços; capacidade de escalar os serviços rapidamente; maior rapidez na adoção de novos serviços.

As empresas deverão implementar uma política de “Cloud First” para que, sempre que exista a necessidade de acesso a novos serviços ou infraestruturas, os benefícios e as áreas quantificadas de redução de custo sejam analisados. Nas organizações maiores, onde o poder decisório se encontra distribuído, a implementação deste tipo de políticas tem ainda mais relevância. O sector público é, claramente, um dos mercados onde este tipo de política resultará numa clara otimização dos recursos computacionais e, inclusive, humanos, basta para tal imaginar a quantidade de recursos computacionais que estão implementados nos diversos organismos para garantir a disponibilidade dos serviços em caso de falha e que, certamente, poderiam ser partilhados entre diferentes organismos.

Os custos iniciais são relevantes na implementação de cloud privada e o estado atual da economia nacional e global está a criar barreiras psicológicas no investimento. No entanto, na Unisys, consideramos que adoção planeada destas tecnologias se vai revelar um dos principais fatores para ajudar as organizações portuguesas a ultrapassar este desafio.
Uma das vantagens do cloud computing quando corretamente adotado e implementado é a de diminuir a complexidade associada à gestão das tecnologias de suporte aos sistemas de informação, quer pela automação desses processos, nas cloud privadas, quer pela delegação dessas funções em outras organizações, no caso das cloud públicas. De salientar que a maioria dos departamentos de TI já está a realizar essa evolução que é a utilização das melhores práticas de gestão dos serviços de TI e que permite uma melhoria da qualidade dos mesmos.

O maior desafio dos departamentos é a gestão da mudança relativa às alterações de funções dos seus elementos, garantindo que desenvolvem as competências de gestão financeira e de gestão de serviço. No futuro próximo, a maioria dos departamentos de TI vão ter de realizar as funções de análise económica das diferentes opções de serviço mais vezes do que definir a arquitetura física de suporte a um serviço pois a preocupação vai centrar-se na qualidade do serviço e na sua monitorização e não tanto na recuperação de uma determinada componente tecnológica que deixou de funcionar. Este é o desafio da maioria dos administradores de sistemas em Portugal e aos quais eu recomendo a leitura do livro “Quem mexeu no meu queijo?“.





«ClearPath Systems in the Connected World

Treat Your Internal Environment as Hostile Territory »






We use cookies on this site. By using this site, you agree to our use of cookies. To change or learn more, see our Privacy Notice.